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Treino privado para virar astronauta pode custar até US$ 8 mil por dia

Treino privado para virar astronauta pode custar até US$ 8 mil por dia

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“O que você quer ser quando crescer?”
“Astronauta!”

Esse sonho infantil já não parece tão impossível assim. Antes restrito a poucos selecionados nas Forças Armadas das nações mais ricas, astronautas agora surgem também na iniciativa privada, graças ao potencial do mercado de turismo espacial.

Segundo a consultoria Grand View Research, o segmento movimentou US$ 598 milhões em 2021. E deve crescer a uma média de 37,1% ao ano até 2030, quando chega a US$ 8,67 bilhões. Haja tripulação para tanto foguete.

Treinos privados para astronautas podem parecer algo muito futurista, mas a Nastar (Centro Nacional de Pesquisa e Treinamento Aeroespacial, na sigla em inglês), por exemplo, já está de olho no filão desde 2007.

Naquele ano, ela se tornou a primeira organização a receber aprovação da FAA (o equivalente à Anac nos EUA) para treinar civis para voos espaciais. Ela atende empresas como a SpaceX, Axiom Verge e Virgin Galactic.

Richard Branson e a tripulação do VSS Unity curtindo a baixa gravidade do espaço

Imagem: Divulgação/Virgin Galactic

O próprio dono da Virgin Galactic, o bilionário Richard Branson, foi uma das 650 pessoas preparadas por Glenn King, diretor do treinamento espacial na Nastar. Em entrevista a Tilt, ele explica que os treinamentos para um turista espacial são muito mais simples do que os de um astronauta tradicional, mas ainda exigem alguns cuidados.

Um passageiro do foguete New Shepard, pertencente à Blue Origin (empresa de Jeff Bezos para viagens espaciais), pode experimentar até 5,5 na força G quando entrar em órbita. Isso sginifica sentir 5,5 vezes o seu peso sendo exercido pela gravidade.

Centrífuga humana STS-400, da Nastar, simula lançamento em órbita e força G - Divulgação/Nastar - Divulgação/Nastar

Centrífuga humana STS-400, da Nastar, simula lançamento em órbita e força G

Imagem: Divulgação/Nastar

“A maioria das pessoas só foi exposta a altas forças G em um carro de automobilismo ou em uma montanha-russa”, explica King. “Por isso, a maior parte do treino é para as pessoas entenderem como funciona a força G e como aguentar as mudanças. Ensinamos a conter os músculos para manter o sangue na cabeça e a respirar corretamente quando ficar exausto”, diz.

Segundo King, não é nada de outro mundo, mas ajuda as pessoas a ficarem mais confortáveis e aproveitarem seus poucos minutos no espaço. Ele também afirma que, apesar de parecer intensa, essa preparação é bastante divertida e simples: bastam 24 horas de treinamento.

Apertem os cintos, o piloto sumiu

Mas, afinal, como é fazer esse treino todo e ir ao espaço? Victor Hespanha, um engenheiro de produção de 28 anos, natural de Minas Gerais, pode dizer. Ele ganhou o equivalente ao ticket premiado da Fantástica Fábrica de Chocolate: foi sorteado para ser um dos tripulantes de um dos voos turísticos da Blue Origin.

Com isso, tornou-se o segundo brasileiro a ir ao espaço e o primeiro turista espacial do país. O voo de Hespanha a bordo do New Shepard chegou a 100 km de altitude e à velocidade máxima de 3,7 mil km/h. Foram apenas dez minutos entre a decolagem e o pouso da cápsula com passageiros.

Não havia nenhum astronauta profissional: o foguete é autônomo. Os passageiros encararam apenas alguns treinamentos simples para desfrutar poucos minutos sem gravidade e a vista da Terra pela janela.

Victor Hespanha durante simulação de voo organizada pela Blue Origin antes do lançamento oficial - Felix Kunze/Blue Origin - Felix Kunze/Blue Origin

Victor Hespanha durante simulação de voo organizada pela Blue Origin

Imagem: Felix Kunze/Blue Origin

“A ideia é que tenhamos o menor esforço possível”, Hespanha revelou a Tilt. Segundo ele, a cápsula é mais confortável do que um avião comercial.

Há alguns testes cardíacos e exames médicos básicos para garantir que você não tenha nenhum piripaque no espaço. Essa avaliação, segundo o engenheiro, é feita tanto por médicos quanto astronautas. “Eram pré-requisitos simples, como ter condições de subir seis lances de escada”, diz.

Em 2021, o astronauta Chris Redfield compartilhou no Twitter alguns dos requisitos para voar como turista com a Blue Origin. Entre eles, estavam:

  • Ter altura entre 1,62m e 1,91m;
  • Pesar entre 49,8 kg e 101 kg;
  • Subir sete lances de escada em até 90 segundos;
  • Colocar e tirar o cinto de segurança em 15 segundos;
  • Saber se comunicar em inglês;
  • Suportar a força G de até 5,5.

Ao todo, Hespanha teve três dias formação. O primeiro, mais voltado à integração, é focado em apresentar a viagem, explicar um pouco de como ela é feita, quais são os possíveis riscos etc.

No segundo e no terceiro, já no centro de treinamento, leu materiais de estudo para entender tecnicamente o lançamento e entrou em um simulador da cápsula. Nesse ambiente, o instrutor explica os ruídos, alertas luminosos, como colocar e tirar o cinto etc.

“É tudo muito simples. Usamos apenas um botão para se comunicar com a torre de controle”, diz Hespanha.

Brinquedos caros

A Blue Origin não divulga os preços das passagens, mas os voos da Virgin Galactic não saem por menos de US$ 450 mil. Já a SpaceX cobrou US$ 55 milhões para levar três turistas para passar uma semana na Estação Espacial Internacional (o que é muito mais complexo do que um voo suborbital, como o da Blue Origin e da Virgin Galactic).

Naturalmente, os maiores custos são com a viagem em si. Isso não significa, no entanto, que os treinamentos sejam baratos – até porque eles exigem equipamentos um tanto específicos, além de instrutores com muita qualificação.

Centrífuga humana STS-400, do centro de treinamento espacial Nastar, que simula lançamento em órbita e força G - Divulgação/Nastar - Divulgação/Nastar

Centrífuga humana STS-400, da Nastar, que simula lançamento em órbita e força G

Imagem: Divulgação/Nastar

Na Nastar, por exemplo, há uma centrífuga feita para preparar a pessoas para altas forças G, que custa mais de US$ 40 milhões; uma câmara que replica os efeitos da alta altitude, como baixa pressão do ar e pouco oxigênio (com custo em torno de US$ 2 milhões); além de diversos simuladores.

Com todo esse gasto, não é de se estranhar que o treino individual por 1 dia chega a US$ 8 mil. O de dois dias sai por US$ 9 mil e o de uma semana, US$ 14 mil.

Visita a Marte

A astrofísica e pilota Nancy Vermeulen foi uma dessas crianças que sempre quis ser astronauta – e nunca perdeu esse sonho. Em 2008, quando a Agência Espacial Europeia abriu seleção para novos cosmonautas, ela avançou no processo, mas não foi selecionada.

Então, arregaçou as mangas e decidiu resolver o problema ela mesma: fundou a Space Training Academy, que comercializa treinos particulares para quem estiver interessado em turismo espacial.

O pacote completo de aulas (que sai por 200 mil euros) inclui simulação de uma visita a Marte, treino de alta força G em uma centrífuga e treino de respiração em uma câmara de alta altitude etc. Os equipamentos são alugados.

Confira abaixo um vídeo do funcionamento do simulador de força G:

Vermeulen defende que o sonho de ir ao espaço é o que alimenta a sobrevivência da espécie humana – e, por isso, ela continua trabalhando com viagens espaciais

O mesmo tipo de sonho ecoa na cabeça de Hespanha, que diz ter certeza que um dia ainda voltará ao espaço. “É uma das minhas poucas certezas. Vou me estruturar para voltar”, diz. “Olhar a Terra de fora e ter essa experiência improvável mudou como eu vejo a vida. Nós exploramos muito pouco do infinito ainda”, completa.



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