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Uma das produções mais cruéis e brutais da história do cinema. É o que se pode esperar de filme alemão da Netflix indicado a 9 Oscars

Foto: Reprodução/Internet

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Uniformes de soldados alemães mortos nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial são removidos de seus corpos despedaçados, transportados para galpões onde são lavados, novamente tingidos para remover as manchas da lama e do sangue, costurados seus buracos de balas e explosões e dados a novos soldados para cumprir o mesmo ciclo. Assim começa o chocante “Nada de Novo no Front”, com o som intermitente das máquinas de costuras, que se confundem com o das metralhadoras e das esteiras dos tanques. Dirigido por Edward Berger, é um dos filmes com mais indicações ao Oscar 2023 e uma das mais cruéis e realistas produções antiguerra de todos os tempos.

Baseado no livro homônimo de Erich Maria Remarque, que narra alguns dos horrores na guerra que o próprio autor vivenciou durante seu tempo como soldado, o enredo gira em torno do jovem Paul Baumer (Felix Kammerer) e seus colegas da linha de frente já nos últimos atos do espetáculo da guerra, em 1918. A todo momento, eles estão ansiosos, aguardando assinaturas de lideranças políticas que finalmente darão fim ao moedor de carnes. Conforme as ordens do imperador Guilherme II para o desfecho da carnificina não chega, eles se mantêm lutando nos campos de batalha como soldados-robôs, já esvaziados de brilho nos olhos e de qualquer resquício de alma, com seus espíritos entorpecidos, eles se tornam apenas máquinas de matar e morrer.

É este olhar desbotado e o semblante que inspira desespero e ao mesmo tempo total esvaziamento de si próprio que toma conta de Felix Kammerer, que interpreta de forma fantástica Baumer. O espectador, que vê a guerra exatamente sob o olhar do protagonista, se espanta com os horrores inimagináveis e tenta suportar o insuportável, enquanto a Alemanha pretende manter o falso orgulho diante um vexame extraordinário por seu péssimo desempenho na guerra.

A fotografia de James Friend, com cores frias e cinzentas, assim como a de “1917”, expressa não apenas o frio que os soldados enfrentavam no território francês, mas também a impiedade da própria guerra. Ela quer nos lembrar que não há aconchego, não há calor ou descanso. Ninguém será poupado dos horrores vividos nas trincheiras. Já a trilha sonora sombria de Volker Bertelmann usa sons metálicos e pesados para reforçar o clima de horror, como se a qualquer momento Darth Vader fosse entrar na cena.

Indicado a nove Oscars, “Nada de Novo no Front” não é a primeira versão fílmica do livro, mas a terceira. A primeira, criada em 1930 por Lewis Milestone, não foi aprovada por Remarque, embora tenha sido aclamada por críticos. A segunda, de Delbert Mann, foi lançada em 1979, já após a morte do autor. O longa de Berger não parece ter o perfil adequado à Academia, exatamente por seu tom crítico à guerra e a violência explícita. Por este motivo, “Além da Linha Vermelha”, obra visceral de Terrence Malick, foi esnobado, enquanto o “O Resgate do Soldado Ryan”, de Steven Spielberg, foi ovacionado pelo Oscar em 1999.

“Nada de Novo no Front” é uma produção pesada, angustiante e política. Ela fala sobre como a noção da pátria e do nacionalismo cria em homens a disposição para abdicar de sua humanidade e se tornar engrenagens de um sistema que jamais os beneficia ou recompensa, apenas os usa como instrumentos para aumentar o poder ou sustentar a hegemonia dos poderosos.

Filme: Nada de Novo no Front
Direção: Edward Berger
Ano: 2022
Gênero: Guerra/Drama/Ação
Nota: 10/10

Fonte: Fer Kalaoun/Revista Bula

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